sexta-feira, 19 de março de 2010

Uma defesa da Fé Reformada

Estou furioso! Sim, você está lendo corretamente, é isto mesmo, estou furioso!

Eu não aguento mais pessoas atacando a fé reformada, dizendo que os reformados não passam de mera "letra". Dizem que vivemos fundamentados em teorias e não conhecemos o poder de Deus. Parece que para essas pessoas que se dizem crentes, somos hereges, retrógrados, afirmam que estamos presos no passado, dizem que a teologia reformada é velha, que ela não serve mais para hoje. Tais crentes que falam isso, não conhecem nenhum pingo da fé reformada, não conhecem nada sobre a Reforma Protestante do século 16.

Infelizmente essas pessoas que são contra a fé reformada vivem em nosso meio, conhecemos elas muito bem, e mais, muitos são nossos líderes, e alguns são até nossos amigos. Mas, qual é o motivo dessas pessoas que se dizem salvos não abraçarem a fé reformada? Por que eles tanto atacam a fé reformada? E em alguns deles, parece que habita neles um ódio por nós reformados.

Recentemente fiquei sabendo de um irmão conversando com outro a respeito desse assunto, que disse "esses Presbiterianos malucos...".
O motivo da discussão era se os reformados crêem ou não no Dom da Cura. E o outro irmão que é reformado estava explicando para ele que cremos sim na cura, mas à maneira de Deus, de acordo com a Sua vontade.

E parece que esse irmão não gostou e começou a falar mal dos Presbiterianos. Não estou aqui propriamente defendendo a denominação Presbiteriana - que por ela tenho particularmente um grande apreço - mas sim para fazer uma pequena defesa da fé reformada.

Geralmente quem não gosta da fé reformada e conseguentemente dos reformados são os "Superpentecostais". E também existem aqueles que até conhecem a fé reformada, mas procuram ignora - lá para poderem não ficar mal com suas denominações Pentecostais.

As acusações ao nosso respeito são várias. Enumeremos algumas:

1° Alegam que nós reformados só temos a "letra" (com a palavra letra, querem dizer que só temos o conhecimento bíblico) conosco.

2° Dizem que nossas reuniões de adoração a Deus são a mesma coisa que um Funeral, não passam de reuniões frias e sepulcrais.

3° Nos acusam de sermos muitos metódicos e detalhistas com as coisas de Deus e insensíveis ao Espírito Santo.

Mas, no que a fé reformada se baseia? No que nós reformados cremos?
Muitas das doutrinas que seguimos, são as mesmas que os nossos acusadores professam.

Então, por que o motivo dessa perseguição? Porque tantas acusações? Se o que só sabemos crer é no Evangelho do Senhor Jesus Cristo, assim como eles (bom, eu acho que eles crêem).

Tais inimigos da fé reformada se esquecem de que não estão somente perseguindo a nós, mas sim ao próprio Evangelho! Pois o que nós cremos e pregamos é tão somente que Jesus Cristo morreu por nossos pecados e ressuscitou para nossa justificação. Isso é ou não o verdadeiro Evangelho do Senhor Jesus?

Ou será que os nossos opositores que se dizem crentes não pregam e professam essa mesma doutrina?

Lembra o que o Senhor Jesus disse para seus discípulos? "...Aquele que não está comigo é contra mim...". Nós reformados estamos intrinsecamente ligados ao Mestre e a sua Palavra. E tenho certeza que quem nos odeia, primeiramente odiou a Ele.

Tenho para mim, que não podemos viver uma vida cristã sem considerarmos o que nossos antepassados fizeram para que pudéssemos chegar até aqui. Não podemos estudar a História da Igreja Cristã e fazermos vista grossa quando se fala do século 16 e a Reforma Protestante.

Analisemos rapidamente a Reforma Protestante e suas consequências.

Se nós estudarmos a Reforma Protestante do século 16, vamos ver claramente o palco lúgubre montado em que a reforma protestante se apresentou, era um período da História completamente negro, a Igreja Católica Romana imperava de norte a Sul, as suas doutrinas deturpadas das Escrituras vigoravam com grande intensidade.

Vejamos algumas características da Igreja Católica no início do século supracitado:

1) O papado era uma potência religiosa e política, e grande parte da vida econômica girava em torno das igrejas paroquiais, ocasionando insatisfação por parte das autoridades civis, devido à intervenção do papa em seus negócios.

2) A corrupção política, econômica e moral generalizada na "igreja" e no clero contribuiu para um sentimento anticlerical.

3) Profunda carência espiritual: a igreja tinha se tornado extremamente meticulosa no confessionário e, ao mesmo tempo, induziria os fiéis a realizarem boas obras que, não poderiam deixar de ser, eram sempre insuficientes para eliminar o sentimento de culpa latente. [A experiência de Lutero, durante seu noviciado e depois como monge agostiniano, constituiu-se um bom exemplo de que a confissão auricular, os jejuns e penitências - os quais ele praticava com frequente rigor - não lhes proporcionava a paz esperada; daí ele se exceder cada vez mais aos da sua ordem - que, a partir da reforma de 1503 feita por João von Staupitz (1469-1524), era ainda mais severa - em penitências, buscando encontrar a paz com Deus e a certeza da salvação de sua alma].

Os reformadores iam contra a igreja católica por causa de seus abusos; por causa dela se colocar acima das Sagradas Escrituras. Por afirmarem veementemente que ela (a Igreja Católica) tinha o poder de autenticar as Escrituras por sua própria interpretação pessoal,e mais, ela afirmava que suas tradições estavam acima da Palavra escrita ou em pé de igualdade com a mesma. Os reformadores combatiam o ensino errôneo do Catolicismo Romano de que para se alcançar a salvação, era necessário pagar pela mesma, e assim, a Igreja Católica fatura milhões e milhões.

Os reformadores combatiam também a veneração dos santos que morreram com Cristo. Os nossos precursores diziam que não há outro Senhor e Salvador que devemos adorar, a não ser nosso Rei Jesus.

Como colocou bem o ilustre Alister McGrath: "A Reforma ocupou, e deve continuar a ocupar, um legítimo e significativo lugar na História das idéias".

Será que esses crentes que criticam a fé reformada não teriam - no lugar dos reformadores - a mesma atitude de combater todos esses erros que os reformadores combateram? A resposta é um indubitável NÃO. Não, Eles não teriam a mesma atitude.

Qual era o principal objetivo da Reforma Protestante?

A Reforma teve como principal objetivo o retorno às Sagradas Escrituras, a fim de reformar a igreja que havia caído, ao longo dos séculos, em uma decadência teológica, moral e espiritual.
A preocupação dos reformadores era principalmente a reforma da vida, da adoração e da doutrina a luz da Palavra de Deus. Desta forma, a partir da Palavra, os reformadores passaram a pensar acerca de Deus, do homem e do mundo. A Reforma foi acima de tudo uma proclamação do Evangelho cristão.

Na Reforma, a Palavra de Deus era a única autoridade, e a salvação tinha como base a obra definitiva do Senhor Jesus Cristo, consumada na cruz.

Será que para os inimigos da fé reformada os reformadores fizeram errado por tão somente proclamarem as Escrituras? E que a salvação proviesse pelo singular sacrifício de Jesus no Calvário? É por esses motivos que tais crentes têm raiva de nós reformados?

Os sola's da Reforma.

Os reformadores do século 16 organizaram as principais doutrinas das Escrituras e da Fé Reformada em cinco palavrinhas chave:Sola Escriptura(somente a Escritura), Sola Fide(somente a Fé),Sola Gratia(somente a Graça),Solus Christus(somente Cristo), e Soli deo Gloria(a Deus somente a Glória).

1) Sola Escriptura. Ao usar estas palavras, os Reformadores indicavam sua preocupação com a autoridade da Bíblia, e expressavam que a Bíblia é a única autoridade suprema - não o papa, nem a igreja, nem tradições ou concílios de igreja, menos ainda intuições pessoas ou sentimentos subjetivos - mas tão somente a Escritura.

2)Sola Fide. Quando os reformadores usaram estas palavras, se preocuparam com a pureza do Evangelho, querendo expressar que os crentes são justificados por Deus pela fé, inteiramente à parte de quaisquer obras que tenham feito ou que possam fazer. Justificação por meio de Cristo unicamente pela fé tornou-se a doutrina primordial da Reforma Protestante. Sola Fide foi chamado o princípio material da Reforma porque melhor do que qualquer outro encarna o próprio conteúdo do Evangelho. É essencial a ele. Uma frase para nós reformados muito famosa de Martinho Lutero resume bem essa doutrina: "É o artigo pelo qual a Igreja se firma ou cai".

3) Sola Gratia. Aqui a insistência deles era que os pecadores não tem nenhum direito a reivindicar alguma coisa de Deus, porque Deus não lhes deve nada senão o castigo por seus pecados, e que, se ele salva apesar de suas transgressões, como é o caso daqueles que são salvos, é só porque agrada-o fazer isso. Ensinavam que a salvação é somente pela Graça.

4) Solus Christus. Ao afirmarem tais palavras, diziam que proclamar Cristo somente é proclamá-lo como único suficiente Profeta, Sacerdote e Rei do cristão. Não precisamos de outros profetas para revelarem a vontade e a direção de Deus; na Bíblia, Jesus disse tudo que devemos ouvir, tudo que nos é necessário tanto para o conhecimento desta vida, quanto da porvir. Não precisamos de outros sacerdotes para mediar à salvação e as bênçãos de Deus; Jesus é o nosso único e suficiente mediador. Não precisamos de outros reis para controlar o pensamento e a vida do crente e da igreja, não precisamos de gurus; só Jesus é o rei de cada cristão individualmente e da sua Igreja.

5) Soli deo Gloria. Finalmente, cada uma dessas quatro frases foi resumida no lema Soli deo Gloria. Em Romanos 1.36 as palavras "A ele, pois, a glória eternamente" seguem a "porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas", significando que é porque todas as coisas são vindas realmente "dele e por meio dele, e para ele" que nós dizemos "a Deus somente seja a glória". Pensamos na Escritura? Ela é de Deus, veio a nós pela intermediação de Deus, e permanecerá eternamente para a glória de Deus. A justificação pela fé? Vem de Deus, por meio de Deus, e para a glória de Deus. A graça? A graça, também, tem a sua fonte em Deus, vem a nós pela obra de Deus o Filho, e é para a glória de Deus.

É nessas doutrinas Escriturísticas que nós reformados cremos e professamos; é nessas mesmas doutrinas que toda a Igreja do Senhor Jesus deve crer. Essas são as verdades absolutas e universais da Santa e infalível Palavra de Deus. Não viemos trazer um novo Evangelho, pregar uma nova doutrina além daquelas que já estão exaradas na Bíblia. Não somos doidos de cometer tais atos.

A Fé Reformada existe para trazer de volta as doutrinas cristãs que foram e estão sendo deixadas pela Igreja hodierna. Nós reformados temos a cada dia o compromisso de colocar as Sagradas Escrituras no centro da igreja, da sociedade e nas nossas próprias vidas.

Infelizmente, embora a Contra-Reforma Católica Romana tenha ocorrido no fim do século 16, a Contra-Reforma Protestante vem obtendo êxito nesses últimos dias.

Que possamos orar, e deixar Deus nos usar para reformar a igreja evangélica brasileira juntamente com a nossa cultura moribunda.
Quem sabe muitos desses que falam mal da Fé Reformada, um dia não abracem e passem a professa-lá?

Esse é o meu desejo.

Em Cristo, o Senhor da Reforma


Thiago Rabello

quinta-feira, 11 de março de 2010

Protestar ou ficar de braços cruzados?


Aqui me encontro novamente para Protestar, sim, protestar contra certos tipos de cristãos covardes que não conseguem alçar a voz, e, assim como muitos, Protestar. Estamos sujeitos a uma enorme tendência em nosso meio evangélico de ficarmos com os braços cruzados, vendo a banda da mentira, orgulho, falta de compromisso com Deus, e milhares de outros pecados, passar. Falta-nos coragem o suficiente para protestarmos contra tora a espécie de males que ferem a ordem na igreja, na nossa vida, na família e na nossa sociedade.

Conheço pessoas que são obreiros (Presbíteros, Diáconos, Evangelistas, Etc.), que não tem nem sequer a hombridade de protestar contra tudo que é avesso e antibiblico que está dentro das próprias denominações que congregam. São pessoas que se dizem formadas em seminários teológicos, dizem que já leram a Bíblia não sei quantas vezes, lêem livros, fazem praticamente tudo o que a Bíblia ordena que um obreiro faça. Mas se esquecem de uma coisa principal, Protestar!

Se esquecem que um dos maiores Protestantes de toda a era cristã foi o próprio Senhor Jesus Cristo! Jesus não podia ver um fariseu e um mestre da lei mandando seus prosélitos e o povo a praticarem a Lei Mosaica - sendo que eles não tinham a disposição de mover um dedo para o cumprimento da mesma - que já protestava contra eles e dizia a multidão e aos seus discípulos:  "Os mestres da lei e os fariseus se assentam  da cadeira de Moisés. Obedeçam-lhes e façam tudo o que eles lhes dizem. Mas não façam o que eles fazem, pois não praticam o que pregam. Eles atam fardos pesados e os colocam sobre os ombros dos homens, mas eles mesmos não estão dispostos para levantar um só dedo para movê-los. Tudo o que fazem e para serem vistos pelos homens. Eles fazem seus filactérios bem largos e as franjas de suas vestes bem longas; gostam do lugar de honra e dos assentos mais importantes nas sinagogas, de serem saudados nas praças e de serem chamados 'rabis'".

Se esses tais obreiros que mencionei conhecessem mesmo as Sagradas Escrituras, saberiam o teor da primeira carta de Paulo aos crentes da igreja de Corinto. Paulo, acredito eu, foi, depois de Cristo, um dos maiores Protestantes de todos os tempos, pois combatia veementemente as irregularidades, os pecados, e os falsos obreiros que permeavam o ambiente da cristandade de sua época. Podemos ver claramente um grande exemplo no capítulo cinco de Coríntios, aonde Paulo, sabendo de um grave pecado (incesto) que estava dentro dessa igreja, foi um tanto ríspido quando disse entreguem esse homem a Satanás...

Vemos também em outras passagens como, com zelo pela obra do Senhor citava até nomes, nomes de obreiros que o haviam prejudicado (2 Tm 4.10, 14). Chegou até a resistir o Apóstolo Pedro na face! Veja, Gl 2.14.

Se nós entrarmos então na História da Igreja, vamos ver também dezenas, senão, milhares de Protestantes protestando corajosamente contra todas as distorções da Igreja Católica Romana. Dentre essas dezenas podemos citar os principais: John Russ, Savonarola, Agostinho, Martinho Lutero, João Calvino. São Homens que não temeram o que podiam lhes acontecer com seus corpos, mas antes, foram até o fim; deram as suas vidas à favor das Verdades da Palavra de Deus!

Não somente oraram, mas fizeram algo; não somente falavam, mas suas atitudes coadunaram com as suas palavras. Diferentemente de alguns obreiros de hoje. Certa vez fiquei sabendo que um Presbítero e um Evangelista viraram para um jovem Diácono e disse: "você acha que nós não sabemos as coisas erradas que acontece lá naquela igreja? Mas agente não pode chegar para o Pastor e recriminá-lo por isso, mas nós sim só oramos, porque fulano, é Deus que muda!".

Se o caso fosse só orar, o Apóstolo Paulo, Jesus Cristo, John Russ, Savonarola, Martinho Lutero e João Calvino não teriam Protestado, mas sim, deixado tudo nas mãos de Deus através da oração.

Na minha opinião, se esses obreiros que dizem ter formação teológica, e agem assim, é óbvio que não passam de covardes e medrosos. E o que Deus diz desses? A resposta é:  "Quem for covarde e medroso que volte..." (Jz 7.3). O mais interessante é que essa gente são professores de seminários, ensinam sobre a Reforma Protestante do século 16 (ensinam pouco, por não dominarem muito bem o assunto, mas ensinam), falam sobre os Reformadores da época, mas eles próprios não são Reformadores e muito menos Protestantes.

O conselho que a Bíblia nos dá, é que devemos destruir todo argumento e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo.
Defendendo assim o Evangelho com unhas e dentes, como disse o Dr. R. Albert Mohler Jr. Na sua participação no obra Reforma Hoje, publicado no Brasil pela editora Cultura Cristã: "Crentes confessionais amam a verdade e refutam o erro, não com espírito soberbo e vingativo, mas num espírito de humildade e fidelidade".       

Em Cristo,

Thiago Rabello.     
 



segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

O ressurgimento da antiga filosofia Católica Romana: "Mantenha-os ignorantes e os manterá sob seu domínio".

Infelizmente, está ressurgindo dentro das nossas igrejas protestantes, a antiga filosofia da Igreja Católica Romana de alguns séculos atrás: "Mantenha-os ignorantes e os manterá sob seu domínio". Essa antiga filosofia que permeou quase todos os séculos antes da reforma protestante do século 16, tem ressurgido com toda força nesse século 21, sendo que, agora, com uma nova roupagem, com novos propagadores e com novos receptores: A igreja evangélica protestante brasileira e seus líderes!

Essa antiga filosofia, com já mencionei, estava impregnada nos clérigos da Igreja Católica Romana de alguns séculos passados. Os líderes da Igreja Católica mantinham o povo longe das Sagradas Escrituras, longe do verdadeiro conhecimento bíblico, pois esses líderes sabiam que, se o povo não tivesse o conhecimento bíblico necessário, ficaria muito mais fácil de manipular, mais fácil de fazer deles marionetes-humanas.

Quem somente podia ter acesso as Sagradas Escrituras, eram àqueles que estavam se preparando para se tornar alguma autoridade da igreja Católica Romana, e também àqueles que tinha a autoridade. Isso acontecia a séculos passados, mas infelizmente tem ocorrido a mesma coisa nesses nossos dias hodiernos. Muitos líderes da igreja evangélica brasileira estão praticando essa filosofia, pois eles sabem se realmente ensinarem a Bíblia para o povo, alguns aprenderão e combaterão os próprios que os ensinaram. Pois o Brasil está recheado de líderes evangélicos que pregam e ensinam a Palavra de Deus, mas suas vidas, seu comportamento, não se coadunam com aquilo que pregam e ensinam. Já tem o caso de outros líderes que não ensinam a Palavra de Deus para o povo, porque eles mesmos nunca a aprenderam de fato.


Quando a Reforma Protestante teve seu início no século 16, os reformadores criam que, se as Escrituras estivessem em uma língua acessível aos povos, todos os que quisessem poderiam ouvir a voz de Deus, e todos os crentes teriam acesso à presença de Deus. Frans Leonard Schalkwijk comentou muito bem esse ponto: "Para eles, [os reformadores] as Escrituras eram mais uma revelação pessoal que dogmática". Calvino, por exemplo, entendia que as Escrituras eram tão superiores a outros escritos que, "se lhes voltarmos os olhos puros e sentidos íntegros, prontamente veremos a majestade de Deus que, subjugando nossa ousadia de contraditá-la, nos compele a obedecer a ele” *.


Partindo desses princípios, a Reforma, aonde quer que chegasse, preocupava-se em colocar a Bíblia na língua do povo – e, neste particular, a tipografia foi fundamental para a Reforma – afim de que todos tivessem acesso à leitura bíblica, tornando o “reavivamento” da pregação da Palavra de Deus um dos marcos fundamentais da Reforma.
Contudo, os Reformadores esbarraram em um grande problema: o analfabetismo generalizado entre as massas. Como eu já disse anteriormente e agora faço um acréscimo: a leitura era um privilégio de poucos; de livros, então, restringia-se a médicos, nobres, ricos comerciantes e integrantes do clero.


É digno de nota que, antes mesmo do o humanista Erasmo de Roterdã (1466 – 1536) editar o Novo Testamento em Grego (1516)* e de Martinho Lutero afixar suas 95 teses às portas da Catedral de Wittenberg (31.10.1517), já se tornava visível o esforço por colocar a Bíblia no idioma nativo de cada povo. John Wycliffe (1320 – 1384), Nicholas de Hereford (? – 1420) e John Purvey (1353 – 1428) traduziram a Bíblia para o inglês no período de 1382 – 1384. Coube a Nicholas a tradução da maior parte do Antigo Testamento. Esta tradução, que incluía os apócrifos, foi feita diretamente da Vulgata, sem consultar os originais hebraicos e gregos.


Outro ponto que deve ser realçado a esse respeito é que, quanto mais se aproximava o século 16, verificou-se um desejo mais intenso de ler as escrituras. Como reflexo disso, “de 1457 a 1517 foram publicadas mais de quatrocentas edições da Bíblia”*.
Lutero traduziu a Bíblia para o alemão, concluindo o seu trabalho em outubro de 1534. A sua obra é uma obra primorosa, sendo considerada o marco inicial da literatura alemã*.

Nunca e jamais podemos negar ao povo o conhecimento bíblico que nós (líderes evangélicos) adquirimos. Nunca devemos tentar proibir as nossas ovelhas de entrarem em um curso de Teologia para aprenderem mais a Santa Palavra. Nunca devemos nos sentir ameaçados por nossos membros, pelo fato de eles terem adquirido um certo grau de conhecimento bíblico e nós não. Nunca devemos atacar a Teologia dizendo que ela é do Diabo, ou dizendo que todos aqueles que fazem a teologia ficam soberbos e prepotentes, pois quem só fica soberbo e prepotente são aqueles que querem ficar, e nunca conheceram de fato Jesus. Podem conhecer a respeito dEle, mas Ele de fato, não o conhecem.

Nunca e jamais devemos tentar manipular o povo - por mais que este seja manipulável - pois Jesus não nos permite isso. Sempre devemos fazer o maior esforço (principalmente àqueles líderes que são remunerados pela igreja) para obter o máximo conhecimento da Palavra de Deus para podermos passar para o povo. Sempre devemos estimular as ovelhas de Cristo a ler e estudar a Santa Palavra do Senhor. Devemos constantemente promover em nossas congregações cursos de discipulado, ou congressos de E.B para que o povo fique mesmo bastante estruturado e edificado em Cristo pela Palavra.

É a obrigação de lideres da Igreja (se não tiverem feito), ingressarem em um curso de Teologia, para poder se prepararem espiritualmente e intelectualmente para poder instruir com maior proveito à Igreja do Senhor.

Nunca devemos amoldar as mensagens bíblicas ao desejo do povo; devemos sim, pregar o que a própria Bíblia prega; dizer o que de fato ela diz.

Que o Senhor nos livre constantemente de escondermos do povo todos os conselhos de Deus.

Em Cristo Jesus,

Thiago Rabello

Notas:

* João Calvino, As Institutas, 1.7.4.


* Erasmo de Roterdã demostrou sua preocupação em tornar a Palavra de Deus acessível ao povo. No prefacio de sua edição do Novo Testamento Grego (1516) e em outros lugares, escreveu: “Eu discordo veementemente daqueles que não permitem a particulares a leitura das Sagradas Escrituras, nem as permitem ser traduzidas em língua vulgar(...). Quero que todas as mulheres, mesmo meninas, leiam os Evangelhos e as epístolas de Paulo. Provera a Deus que a Bíblia fosse traduzida em todas as línguas, de todos os povos, para que pudesse ser lida e conhecida, não só pelos escoceses e os irlandeses, mas também pelos turcos e pelos sarracenos. Porém, o primeiro passo necessário é fazê-los inteligíveis aos leitores. Eu almejo o dia quando o lavrador recite para si mesmo porções das Escrituras enquanto vai acompanhando o arado(...).  E.J. Goodspeed, como nos veio a Bíblia, 3° edição. São Bernardo do Campo, SP: Imprensa Metodista, 1981, pág.116; John Mein, A Bíblia e como chegou até nós, 3° edição. RJ: JUERP, 1977, pág. 64.


* Lucien Febvre, Martin Lutero: um destino, 7° reimpressão, México: Fondo de Cultura Econômica, 1992, pág. 187.



* Obs: Essas informações e suas notas (exceto esta) foram extraídas do excelente livro do Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa, João Calvino 500 anos, 1° edição. SP: Cultura Cristã, 2009, páginas 23-25.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Um Protesto Contra Certas Liturgias de Culto.

Desde quando comecei essa carreira dificílima de não somente ler, mas também estudar a Palavra de Deus, comecei a enxergar o Evangelho dos dias hodiernos com outros olhos, com olhos criticos, com um olhar de decepção, pois de fato, como diz o pastor Ricardo Gondim "O modelo evangélico brasileiro adoeceu". É bem verdade que o Evangelho do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo é um só, é imutável, desde seu começo, mas os homens, incluindo os evangélicos, não o são.

É desde o princípio de tudo que o homem vêm mudando, mudando de bem pra mal, de mal pra pior. Sabemos também que "nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios". Mas tudo isso vêm acontecendo justamente para cumprir o que Deus já havia pré estabelecido em sua Palavra.

O que está ocorrendo nesses últimos dias (pelo menos o que eu tenho observado) é que algumas liturgias de cultos estão fugindo do padrão bíblico, padrão esse que já estava estabelecido na igreja de Corinto, igreja essa que tinha todos os dons do Espírito Santo, porém lhe faltava o amor. Paulo escrevendo a igreja de Corinto na sua primeira carta, disse no cápitulo quatorze e versículo vinte e seis o seguinte: "Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação".

Percebeu a ordem? A liturgia de nossos cultos deve ser esta que fora descrita pelo apóstolo. Em primeiro lugar, no culto que prestamos a Deus deve ter Louvor (Salmo), Ensinamento da Palavra de Deus (Doutrina), Manifestações dos Dons do Espírito Santo (Revelação, Língua e Interpretação).

A Bíblia não foi escrita aleatóriamente. A palavra de Deus foi escrita por Homens dotados de uma capacidade sobrenatural para escrever palavras que foram sopradas por Deus! É por isso que está na ordem certa o versículo supracitado, primeiro vêm o louvor (salmo), que têm a função de preparar o coração para que a Palavra possa ser enxertada nele, depois vêm o ensinamento ou a exposição (pregação) da Palavra de Deus, por último vêm as manifestação dos dons espírituais, como línguas, profecias, interpretação, etc.

Mas parece que essa ordem está invertida. Hoje em dia priorizamos mais em nossos cultos os louvores e os dons espírituais e por último (quando tem) a pregação ou ensinamento da Palavra de Deus.

Quando isso acontece aqui na igreja aonde congrego, fico, como dizem alguns "pra morrer", fico muito chateado, porque eu sei o quanto o tempo é precioso e bastante curto para a pregação da Palavra de Deus - outro erro grave que ocorre em algumas congregações - e ainda existe pessoas, principalmente às do ministério, que ao invés de aproveitar o tempo que já é por sinal bastante curto, ao invés de aproveitá-lo para ensinar e pregar a Santa Palavra de Deus, ficam dando continuidade aos louvores, ou então pedem para orar por isso ou por aquilo, ou então para preencher o tempo, ficam dizendo palavras de efeito como "Jesus está aqui", "o anjo do Senhor está paciando aqui" ou também "a glória de Deus está aqui".

Meu espírito, quando presencia estas coisas, fica agitado, fico triste e decepcionado, pois a minha alma não se satisfaz com palavras de efeito motivacional, mas se setisfaz sim, com a Palavra viva proveniente do Conselho do Senhor! Palavra essa que quando exposta no poder do Espírito Santo é eficaz para transformar vidas, reformar e reavivar a Igreja.

Meus irmão, por favor, eu lhes peço, páre de ficar dirigindo o culto como se fosse seu, páre de praticar esses modismos. Dirija o culto conforme a liturgia bíblia da qual falamos, pregue a Palavra, ensine a Palavra e Deus trará os resultados!

Em Cristo Jesus, Senhor nosso. Amém.

Thiago Rabello.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Reconstruindo o "Evangelicalismo" brasileiro.



O livro de Neemias é um livro que foi escrito a alguns séculos atrás, porém é um livro bem atual, até porque é a Santa Palavra de Deus que não muda e nem envelhece. Neste livro importantíssimo podemos perceber um homem que amava a sua nação, amava o seu povo, amava o lugar aonde seus antepassados foram sepultados, o nome dele é Neemias.

Logo no capítulo primeiro de Neemias a sua história começa, somos levados a entender, por muitas maneiras, que Neemias era um homem religioso e devoto que passava muito tempo em oração e que também era muito leal às tradições de seu povo.

No verso de número um, somos informados pelo própio Neemias que ele estava em Susã, a capital dos reis persas quando um grupo peregrino de Jerusalém, liderado por um certo Hanani, que talves fosse irmão de Neemias, trouxeram tristes notícias sobre a situação da cidade, quando Neemias ouviu as tristes notícias ele se sentou e chorou muito, passou dias se lamentando, jejuando e orando ao Deus dos céus. No capitulo dois, somos também informados que no mês de nisã (aproximadamente março/ abril) Neemias se apresentou diante do rei Artaxerxes para lhe servir vinho, pois Neemias era o copeiro do rei


Neemias se apresentou diante do rei triste, o rei lhe perguntou o motivo de sua tristeza, Neemias lhe respondeu com muito medo, medo porque todos os serviçais do rei tinham a obrigação de estarem alegres em sua presença, depois de Neemias lhe ter explicado tudo, o rei lhe disse "o que você gostaria de pedir?" Sem perder tempo, Neemias lhe diz "se for do agrado do rei e se o seu servo puder contar com a sua benevolência, que ele me deixe ir à CIDADE onde meus pais estão enterrados, em Judá, para que eu possa RECONSTRUÍ-LA" (maiúsculos meus). A narrativa continua nos dizendo que o rei fez um acordo com Neemias, liberando-o para executar a sua tarefa.

Chegamos ao ponto principal depois dessa breve narrativa. Fiz questão de colocar com letras maiúsculas as palavras "cidade" e "reconstruí-la" para dar ênfase as palavras. Através do livro de Neemias, vejo a situação do evangelicalismo brasileiro, que por sinal não é nada bom. Assim como as portas da cidade de Jerusalém estavam queimadas, o muro da cidade, em algumas partes estava destruido e o templo do Senhor estava completamente em ruínas, tal é a sorte do cristianismo hoje no Brasíl.

Não há mais proteção, pois os crentes não usam mais a Palavra do Senhor para combater as heresias (com excessão de alguns),não há mais adoração genuína e verdadeira porque os templos-homens estão em ruínas; há sim, show´s, teatros, danças, cantorias, adoração estravagante, e muito, mais muito entretenimento. A nossa nação evangélica está enferma (Is 1.5,6) e o único remédio que pode curá-la é a Palavra de Deus.

Minha oração é que Deus levante verdadeiros Neemias nesta nação, com força e coragem para realizar a reconstrução do evangelicalismo brasileiro. Verdadeiros Neemias que ao invés de ficar usando a mídia e os púlpitos para se degladiarem, usar a Palavra com as oportunidades que Deus concede para sarar e reconstruir nosso evangelicalismo que está em ruínas.

O desejo de Neemias de reconstruir a cidade era tão grande que ele reuniu as autoridades do povo e encorajou-os a se unirem à ele e fazer essa obra (cp. 2. 17). Com a sua coragem e estratégia ele foi conquistando o coração de cada um. Diferente dos líderes evangélicos do Brasil, principalmente os mediáticos, ao invés de unir suas forças para a reconstrução do evangelicalismo brasileiro, unem suas forças para acabar com o próximo. Esses sim são os opositores da obra! Sambalate´s, Tobia´s e Gesém´s. Não querem tirar nosso cristianismo bralileiro da lama, e tentam impedir quem quer tirar, tentando intimidar os servos de Deus com ameaças. Deus os pagará!

Esse é um pequeno recado para os verdadeiros Neemias, que amam esse Brasil e não querem ver ele acabar como uma nação pagã. Vamos unir nossas forças para a reconstrução, e que a mão de Deus esteja sobre as nossas vidas!

Thiago Rabello

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Estamos Enganados!


Bom meus irmãos, aqui está esse chato novamente como um "estraga prazer" daqueles que vivem uma vida descompromissada com Deus. Nesse artigo, quero mostrar que tais pessoas que assim vivem, se auto-enganam, pensando que estão por cima da carne seca, mas na verdade, estão longe de Deus, nunca o conheceram de verdade e se continuarem assim, nunca irão conhecê-lo.

Nesse artigo, quero me basear no texto de Mateus 14. 28. O texto diz que quando Jesus desceu do monte a quarta vigília da noite (de 03 da madrugada até às 06 da manhã), dirigiu-se para eles (os discípulos) andando por cima das águas, quando os discípulos viram Jesus, ficaram atemorizados, logo em seguida Jesus disse-lhes: "Tem bom ânimo, sou eu, não temais". Pedro no meio dos discípulos, deu um passo a frente e disse: "Se és tu mesmo, manda-me ir ter contigo por cima das águas".
É exatamente nessa afirmação de Pedro que descobrimos o porque de estarmos enganados.

1° Porque tentamos muitas das vezes manipular Deus.

Pedro disse: "Se és o Senhor“... Isso, para quem não sabe, é tentativa de manipulação. É como se Pedro dissesse: Só irei acreditar que é o Senhor e não um Fantasma se fizer o que estou te pedindo. Como se Deus precisasse provar para Pedro alguma coisa, que ingenuidade!
Deus não é um ser manipulável, nós que o somos. É impossível pegar Deus e manuseá-lo como se fosse um boneco de ventríloquo. Não se pode usar Deus.
Ele não precisa mostrar para mim e para você que ele É. Pois ele verbalizou sete vezes no seu evangelho segundo escreveu João a palavra "EU SOU".
Veja:

EU SOU o pão da vida 6.35
EU SOU a luz do mundo 8.12
Antes que Abraão existisse, EU SOU 8.58
EU SOU o bom pastor 10.11
EU SOU a ressurreição e a vida 11.25
EU SOU o caminho, a verdade e a vida 14.6
EU SOU a videira verdadeira 15.1

Isso fez eu me lembrar de algumas pessoas nas páginas Sagradas que tentaram, além de Pedro, manipular Deus, tão somente para satisfazer seus desejos egoístas.

Vejamos alguns:

Àquelas pessoas que passavam em frente à cruz de Jesus olhavam para ele e diziam: "Se és o filho de Deus, desce da cruz e aí sim vamos crer em ti", Mt 26.39,40.
Um dos ladrões que estava do lado de Jesus disse: "Se és o filho de Deus, salva a ti mesmo e a nós", Lc 23.39.
Acredite que ele É, não porque ele faz, mas porque sua Palavra corrobora essa verdade.

2° Porque pensamos que Deus só é verdadeiramente DEUS quando ele realiza algo sobrenatural em nossas vidas.
Pedro continua dizendo: [...] “Manda-me ir ter contigo por cima das águas".
Tem certos tipos de crentes que só servem a Deus pelas coisas que ele pode dar, e não por aquilo que ele É. Se Deus realizar o milagre que tal pessoa aguarda com tanta ansiedade, ai sim ele é Deus, ai sim ele serve para ela, ai sim ele é digno de Glória e Louvor. Mas se Deus não fizer nenhuma coisa "Sobrenatural" na vida dela, ele não presta ou não tem poder suficiente. Mas tais crentes não conhecem a passagem em Efesios 1.3b que diz que "Deus nos abençoou com todas as bênçãos espirituais (sobrenatural) nos lugares celestiais em Cristo".
Deus continua sendo Deus fazendo ou não algo maravilhoso em nossas vidas. Não sei o porquê de tantos crentes pedirem para Deus realizar o sobrenatural, se a benção mais sobrenatural e maravilhosa que ele pôde fazem por nós é ter nos dado a salvação Tt 3.5.

3° Achamos que Jesus está a nossa disposição.

Pedro diz: [...] "Manda-me ir ter contigo"...
Na maioria das vezes achamos que Deus é um rapaz que está atrás de um balcão com um chapeuzinho azul na cabeça pronto para te atender dizendo: Pode pedir o que quiser senhor, que eu estou a sua disposição.
Outros crentes pensam que Jesus é um Papai Noel que edentra pelas portas da igreja e sai distribuindo presentes para todo mundo. Tem aqueles que acham que Jesus é um gênio da lâmpada, que é só esfregar ela um pouco, ele sai e está pronto para conceder três pedidos.
Somos nós que devemos estar à disposição dele, como vasos de barro. Deus não precisa de nós, somos nós que precisamos dele para viver. Meu irmão, minha irmã, pare de tratar Deus como se ele fosse seu camarada. Deus é um Deus santo, que exigiu separação dos israelitas antes de se chegar perto dele no monte Sinai Ex 19.

SEPARAÇÃO, para não ficarmos enganados a respeito de Deus!

Thiago Rabello

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

É "só vitória" mesmo?




Existe em nossos dias um mantra (digo 'mantra' no sentido de repetição) que as pessoas não se cansam de falar e nem de ouvir porque lhes soam bem aos ouvidos e ao paladar, esse mantra se chama "Só vitória". A maioria dos crentes que eu vejo na rua me faz a seguinte pergunta: "Só vitória varão"? tenho que lhes responder: "Nem sempre irmão!". Alguns me olham com um olhar de dó, sentem pena de mim quando lhes dou esta resposta. Reagem assim quando ouvem a minha resposta porque conhecem, mas não aplica em suas vidas aquilo que Jesus disse "Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua CRUZ, e siga-me" (Lc 9.23).

     O evangelho verdadeiro é o evangelho de cruz. Quem quiser vencer os três poderes existentes em nossa época (Carne, Mundo e o Diabo) deve tomar cada dia a sua cruz e seguir a Jesus. Com a cruz entendemos a palavra sofrimento, foi lá nessa cruz cruenta que o nosso Senhor Jesus morreu por nós; foi lá que ele morreu a nossa morte, sofreu a nossa dor, naquelas terríveis três horas da escuridão do esquecimento de Deus, ele suportou a condenação que merecíamos pelos nossos pecados, nessa mesma terrível e angustiante escuridão da cruz ele experimentou os horrores do inferno, afim de que pudéssemos ir para o céu e nos garantiu através dela (a cruz) a nossa vitória. Se eu pergunto: Quem quer se autocrucificar?  Concerteza as respostas seriam negativas. Quase nenhum crente do século 21 gosta do sofrimento, diferente dos crentes da igreja primitiva (At 5.40,41). Ninguém sente prazer na dor, na angustia, na pobreza, na desgraça, na perseguição, na ameaça, mas Jesus não prometeu flores para ninguém que o seguisse, ao contrário, ele disse: “Tomem a cada dia a sua cruz”.

O mundo secular estima muito o Ter e desprezam o Ser. Ter bens matérias, ter boa saúde, ter uma boa renda mensal, ter coisas que satisfaçam completamente seus apetites carnais e egoístas. Em decorrência disso, desprezam o Ser, ser um bom marido, um bom filho, uma boa esposa, um bom funcionário, um homem de caráter, um bom servo do Senhor, uma pessoa correta diante de Deus e dos homens. Desprezam o Ser porque são pessoas completamente egoístas, olham somente para si, para o seu próprio umbigo e se esquecem de tudo o mais. O pecado é o eu e a salvação é a libertação do eu. A ordem de Deus é que o coloquemos em primeiro lugar, em seguida o nosso próximo e o eu por último. O pecado é precisamente o reverso da ordem – eu primeiro, o próximo o seguinte (quando isso me convém) e Deus em algum lugar (se é que em algum lugar) num cenário bem distante. A autocentralidade está impregnada na sociedade pós-moderna, é uma de suas doutrinas favoritas.

     O sofrimento faz parte da vida de um verdadeiro servo do senhor, não se pode esquivar dele. Em 2 Timóteo 3.16 está escrito: “E também todos os que piamente querem viver em Cristo padecerão perseguições”. No finalzinho do versículo 24 do capitulo 2 Paulo ensina para Timóteo que o servo do Senhor deve ser sofredor. São provações, lutas, trabalho, perseguições, angustia, tristezas, choros, agonias, decepções e não somente conquistas, bênçãos, vitórias, triunfos, sucessos, realização e exaltação. Só os hipócritas acreditam que são espiritual e fisicamente saudáveis. A pergunta que acertadamente cabe aqui é: “Deus quer que eu seja feliz?” Sim, mas pelas razões certas. Se você meu irmão pensa que encontrará a felicidade em uma casa maior e um carro mais luxuoso, está completamente enganado. Para dizer a verdade, não é o que Jesus quer dizer no Sermão da Montanha (Mt 6.13), quando ordena que os discípulos busquem “primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça”? Não são os pagãos que tornam os assuntos terrenos sua preocupação primária?

Depois de Jesus, o Apóstolo Paulo foi o homem que mais sofreu por amor a ele (Jesus).

Irei transcrever para vocês o que o Apóstolo Paulo disse em 2 Co 11.23-28.

“São ministros de Cristo? (Falo como fora de mim.) Eu ainda mais: em trabalhos, muita mais; muito mais em prisões; em açoites, sem medida; em perigos de morte, muitas vezes. Cinco vezes recebi dos judeus uma quarentena de açoites menos um (o equivalente a 191 chibatadas com um chicote que na ponta tinha osso de carneiro que quando grudava na pele sendo puxado arrancava um pedaço); fui três vezes fustigado com varas; uma vez, apedrejado; em naufrágio, três vezes; uma noite e um dia passei na voragem do mar; em jornadas muitas vezes; em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos entre patrícios, em perigo entre gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos; em trabalhos e fadigas, em vigílias muitas vezes; em fome e sede, em jejuns, muitas vezes; em frio e nudez. Além das coisas exteriores, há o que pesa sobre mim diariamente, a preocupação com todas as igrejas.”

Mas Deus já havia dito para Ananias o quanto Paulo padeceria pelo nome de Jesus (At 9.16).  Você aguentaria tudo isso?  Sinceramente, eu acho que eu não aguentaria.

Agora me vem certos Apóstolos modernos que andam de BMW blindada, vidro fume e cheios do dinheiro às custa da igreja, não sofrem e nunca sofreram pela causa do Evangelho, e ainda dizem que se você está passando por momentos de provação é porque você é rebelde e está endemoniado. Enfrentar dificuldades nunca foi nem nunca será sinal de fracasso espiritual. O crente pode ser pobre e continuar andando de cabeça erguida, haja vista o seu maior tesouro estar guardado nos céus (1 Pe 1.3,4). Os crentes brasileiros têm a tendência de atribuir todas as coisas ruins e sórdidas que nos acontecem a Satanás, enquanto que todas as coisas boas vêm de Deus. Existem pessoas que até louvam hinos e pregam sermõess que falam para nós repreendermos a prova, não aceitarmos as lutas e determinarmos a nossa vitória, jogar fora tudo de ruim e absorver tudo de bom, mas, e se Deus não quiser? Se Deus quiser que você continue desempregado? Se Deus quiser que você continue na prova por um bom tempo? Afinal de contas, Ele não é Soberano? Não é Ele quem rege e comanda as nossas vidas? Então vive a vida que Ele quer que você viva!

     Você continua achando que “é só vitória”?



Thiago Rabello